
Cotas,
Para Quem?
Eduardo
Ferreira / Porto
........De
tempos a tentos, quer queiramos quer não, a história repete-se.
Umas vezes é fácil entender as razões das escolhas
e respectivas justificações. Outras nem tanto. Às
vezes basta um raciocínio imediato para percebermos porque nos
vendem determinado “peixe”, outras há em que só
uma boa reflexão nos poderá “libertar” do
imbróglio que nos criaram. É mesmo necessário um
exercício aprofundado para acalmar a nossa razão.
........Vem
isto a propósito de se dizer agora que este Governo está
de facto a governar. Também concordo. Só que para mim
está a receber apoios donde não se esperaria. Para a minha
humilde “sapiência”, algo está errado. Se não,
sigam o meu raciocínio neste caso concreto. O Governo está
empenhado na melhoria do funcionamento do Sector Público. Isso
é bom. Fez, e tem anunciado, várias medidas nesse sentido
e muitos concordaram.
........Uma
delas em particular tem a ver com o sistema de classificação
de serviço dos funcionários públicos, que se tinha
degradado na medida em que as diferentes chefias, nunca tiveram a coragem,
nem a sabedoria necessária para levar à prática
a diferenciação que sempre existiu entre pessoas. Gerir
pessoas é de facto difícil. Então, apareceu um
“Governo de Iluminados”, em 2004, que decidiu que o melhor
era fixar cotas máximas de “Bom” e “Muito Bom”.
(Dec. Reg. 19-A/2004 de 14 de Maio).
........Isto
faz-me lembrar as cotas a aplicar ao número de mulheres a ocupar
lugares na política. Já que o respeito e a paridade não
aparecem naturalmente, obrigava-se por lei as ditas a entrarem, mesmo
que para isso, mais tarde, fosse necessário aumentar o número
de lugares para os ditos, “BOYS”.
........Mas
qual é afinal o problema? perguntará o leitor. O problema
é que o Governo, ao adoptar e a aplicar como boa, a ideia de
uns quantos “iluminados”, está a aplicar a política
do “mercador ladrão”, que ao contratar a compra de
100 escravos, garante logo ao “caçador”, que só
irá pagar 25. É que, na sua perspectiva, dos 100 apenas
um quarto é que é de facto bom produto. Esse comportamento
não deixa de ser prepotente e maldoso. Só se aproveitam
os “Bons”, leia-se fiéis. O resto, é tudo
refugo que só lhe vem trazer chatices e despesa, esquecendo que
é do todo que se poderá obter a média. E é
esse todo, que faz uma nação. Se a média está
baixa, (leia-se fraca), então há que trabalhar para melhorar
a média. Primeiro, o Governo vem falar-nos da eficiência,
da modernidade, do desenvolvimento e da produtividade de que o País
carece, e depois contrata uns tantos “iluminados” para fazer
aplicar a lei dos 25%. E quem vai classificar os “iluminados”?
Isso não é importante? Será que o nosso país
tem tido realmente boas chefias? Ou será esse o verdadeiro problema,
ou seja, a falta de chefias competentes? Porque será que no estrangeiro
os portugueses estão quase sempre entre os melhores? Falando
desta questão com um amigo, respondeu-me que no seu local de
trabalho, decidiram que não tinham que ser os executores das
“asneirolas”, do Governo. Mas aí, interroguei-me
eu. Então como é que, aqui, dum momento para outro, eu
encontro tantos apoiantes e executores das ideias e políticas
do Governo? Ainda por cima, onde nunca vi qualquer “bandeira”,
favorável ao actual partido da governação?
........Para
mim só pode haver uma justificação. Afinal de contas,
a oposição, aquela que se movimenta fora dos “corredores
da política”, descobriu uma forma bem mais fácil
de enterrar o Governo. Basta-lhes apoiar as piores iniciativas e esperar
pelo resultado. O Governo afinal vai desgovernar. Os apoiantes, ficam
com a sua influência nas estruturas de decisão reforçada,
não se comprometem porque estiveram apenas a cumprir ordens e
continuam a ser os “verdadeiros defensores” da Pátria
e fazem as classificações de serviço de modo a
premiar aqueles que se lhes ajustam. Assim, tudo ficará bem “no
Reino do Faz de Conta”.
"Já agora, o meu apreço para aqueles
que, sem esperarem pelo reconhecimento, sempre deram o melhor
de si, dando créditos infinitos a este “jardim
à-beira-mar” plantado. É claro que
estou a falar de emigrantes, desejando aos nossos compatriotas
no Canadá em especial, a melhor sorte, para as suas já
difíceis vidas."
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