O
FESTIVAL EUROPEU DA CANÇÃO – EXPRESSÃO
DA DECADÊNCIA EUROPEIA
........Numa
altura em que a cultura europeia se encontra numa atmosfera
de pôr de sol, o Grand Prix aplana o caminho para a vulgaridade,
por todo o lado em marcha. Fantástico em efeitos de vista,
a bel-prazer! Domina a caça ao efeito e o crer-se mostrar.
Quer-se um mundo virtual!
........No
meio de tanta luz até as sombras de anões resplandecem
e encandeiam. O triunfo do grupo da Finlândia dum Retro-band
medíocre é mais um passo na história do
concurso europeu.
........Com
a entrada da Europa do leste para o Festival da Canção,
começou por dominar o carácter machista de estímulos
primários com a introdução de cantoras
alérgicas a tecidos, com seios avantajados e o paliativo
rítmico da ginástica desportiva. Agora acrescenta-se
o factor choque.
........Conteúdos
são prescindíveis: subjacente está uma
filosofia que quer pessoas sem carácter e a construção
dum povo cada vez mais arraia-miúda. (O grave em tudo
isto é que no carrossel da política e do poder
decadente não há lugar para a classe média,
para o realismo; só se quer a sapata e alguns gambozinos
com a pretensão de serem eles as estrelas). Tornou-se
tudo permutável não se notando mais a cor local,
o talento, o característico da canção.
É esta a Europa que se quer propagar, uma Europa popular
sem aspirações, sem elites, acultural; uma Europa
ao nível da arraia-miúda. Elites são toleradas
desde que defensoras do banal, dos Boys ou do “pimba”.
........Não
se trata de ter saudade dos festivais do século XX. O
que está em causa é a redução do
festival a mero espectáculo visual acompanhado de orgias
musicais sem especificidade, a bel-prazer.
António
da Cunha Duarte Justo
a.c.justo@t-online.de
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